quinta-feira, 17 de maio de 2012

        Bem gente, tava futucando vídeos antigos e encontrei algumas relíquias. É isso mesmo, eu sou uma rockstar frustrada. Em 2005 tive uma banda de rock chamada Dimorphobia. Era minha diversão. No início eu iria entrar com a guitarra, mas Ricardo ficou na base e como éramos péssimos nunca conseguiríamos tocar com três guitarras. Então fui pros vocais femininos (acho que agora todo mundo sabe porque a banda não deu certo, né? kkkkk).
          Nessa foto estavamos indo para nosso primeiro ensaio:
             Ricardo, eu, Thiago (hoje vocal do 'Mentes Mutáveis" http://www.youtube.com/watch?v=cqWGMhXFxcE&feature=relmfu <<< um dos shows deles que fui a gostei bastante), Silvino e um pedaço de Derek.

 Derek e eu
 Nossa primeira a única apresentação em público, no Shopping Cirne Center. Acho que deveríamos estar cantando "Balão Mágico" ou "A mais pedida".

 Mais um dos nossos ensaios. Disto eu sinto muita falta!

Abaixo seguem os links dos ensaios. O áudio é péssimo, mas dá pra ouvir a diversão da gente. Aos que acreditam que vão descobrir como canto ruim aviso logo que nem dá pra ouvir minha voz HA!

A mais pedida

Balão Mágico : http://www.youtube.com/watch?v=dgS7FbD3N9s
Basket Case: http://www.youtube.com/watch?v=lA2J1jqJzv4
RPM :http://www.youtube.com/watch?v=o738B-I7h4Q
Ida ao ensaio: http://www.youtube.com/watch?v=qjedqs3QBgo

É isso gente, podem rir. Todo mundo já foi adolescente, não é?

domingo, 13 de maio de 2012

Um espaço dentro de mim

        Hoje tive a notícia de que Felipe morreu. É estranho quando alguém da nossa idade morre, sobretudo se foi por motivos de saúde. Diante disso eu quis alguém para conversar. Conversar é algo essencial na minha vida, como deve ser comer ou dormir para você que me lê. Mas não havia ninguém. Eu detesto sobrecarregar as pessoas com meus problemas, por isso faço o tipo "Escuto todo mundo a qualquer hora e ainda tento buscar uma solução". Mas para o meu ninguém vai ter solução, essa é a impressão que tenho.
      A única pessoa com quem gostaria de conversar e que me entenderia está longe e nem deve saber o quanto quero conversar. A distância às vezes ultrapassa o espacial, percebi isso hoje. Quando não te captam, quando não sabem o quanto você precisa daquela voz para te acalmar, isto também é distância. Acho que hoje vivo dessas duas. Particularmente me sinto só.
         Andei buscando analisar minha vida nessas últimas semanas. Só saio de casa em situações extremamente necessárias, há dias em que não vejo a cor do sol, do quarto para o quarto de estudos e só. Faz tempo que não sei o que é conversar com um amigo pessoalmente. Faz tempo que não ganho um abraço, um beijo. Faz tempo que não corto o cabelo, nem pinto as unhas. Não lembro da última vez em que fiz as sobrancelhas. Há dias perco minhas aulas de dança. Terei sorte de não ser reprovada no inglês.
        Não me reconheço. Há um espaço dentro de mim que nasce de madrugada e não quer morrer mais.

terça-feira, 8 de maio de 2012

U.U

         Hoje comentei com meu pai sobre como a gente se acostuma ao lado das pessoas. Ia passando ali pela Avenida Canal e lembrei de quantas vezes eu passei por lá. Todas as noites saíamos para jantar e geralmente as rotas se direcionavam por essa avenida. Fiquei um tanto pensativa depois de passar por essa rua. Conversei por 10 ou 15 minutos com meu pai sobre. Ele disse que costume é assim mesmo, é difícil desapegar de uma rotina que se tornava prazerosa por ser sempre diferente de alguma forma, mas que apoiava minha decisão, por saber que eu obedecia uma ordem justa de organizar a vida. Percebi certo orgulho dele em relação à filha.
         Cheguei em casa, e por acaso abri umas pastas antigas de vídeos. Eu sei....tenho mania de gravar quando estou com o celular na mão. Herança de convívio com uns dedinhos rápidos que tive a honra de conviver. Então olhando as pastas abri uma que me doeu de alguma forma. Sabe quando você consegue sorrir e chorar ao mesmo tempo? Foi por aí.
              Eu fiquei feliz por perceber que tive momentos felizes e não percebia que esses pequenos momentos me arrancavam sorrisos sinceros. Eu fiquei triste pelo mesmo motivo. Vendo os vídeos eu finalmente entendia aquela dedicatória do livro, eu realmente conseguia privá-lo das máscaras sociais, ele conseguia ser ele ao meu lado. Em fevereiro era uma crise de choro porque queria sobremesa. Eu filmava rindo tanto, era engraçado. Em março era a espera do avião, com Yohanna tomando sorvete, a BR cheia de carros e nosso domingo se fazia nisso: ir olhar o avião passar pertinho das nossas cabeças por alguns segundos. Êxtase! Tinha também a chuveirada e a tremida que imitava tripa seca. Em abril a masculinidade sendo posta à prova enquanto ele comia o gengibre e em outro vídeo as lágrimas escorriam pelos parabéns que um amigo enviou por foto. Em maio era colocando minha prima mais velha para comer hassabi e se rachando com a cara da coitada. Em junho era falando com a afilhada (Só um pouquinho p a p a i) no telefone e seu recado incompreensível de que a guria queria uma maquiagem do padinho. Em julho oscilava-se entre o cover de Luan Santana e seu bundão e olhos vesgos e as filmagens dos roncos infinitos nas tardes de domingo.
              Quando você consegue arrancar uma voz meiga de alguém que demora a sorrir é um prêmio. Parte da minha indignação era essa. Eu deveria me orgulhar por ser a única que conseguia esses momentos, mas isso me angustiava porque acho que coisas boas devem ser divididas com o mundo. Eu não aguento não poder dividir com todos. Rever esses vídeos doeram de alguma forma. Muitos pareciam que estavam sendo vistos pela primeira vez. Tive a sensação de nunca ter vivido aqueles momentos hoje tão distantes.
                 Diferentemente de outros textos esse não tem conclusão, porque ficou um vácuo na mente. Desculpas a quem lê e sempre espera uma daquelas minhas lições engraçadas ou coisas que a gente leva pra vida. Hoje apenas não concluo.

domingo, 6 de maio de 2012

Mães: nem tentem entender!

           Eu costumo pensar sobre como as mães têm ciumes dos filhos. Eu fico olhando aquelas coisinhas pequenas e chorosas que elas seguram. O tempo todo eles são cuidado delas. Anos sem dormir. No início porque a criaturinha divina só chora e requer toda a atenção do mundo. Ela alimenta de seu próprio corpo, dói o bico do peito porque a inocência morde e fere. Ainda assim ela se orgulha e se enche de amor porque alimenta, porque é capaz de ser mais de uma, ela se torna parte do filho e o filho parte dela.
          Por mera observação acredito que esta seja uma função que exige competência no sentido menos jurídico da palavra. Aliás, deveria existir licenciamento e autorização para ser mãe. Quer dizer....pensando bem, a natureza já fabrica dessas autorizações com as edições limitadas da série estéril, não é? Creio que o dedo de Deus deva ser a maquineta que priva algumas mulheres de exercer esse papel fisiológico. Ele bem sabe o porquê.
           Depois os anos sem dormir por conta do choro é previsível que os papeis se invertam. O filho fica acordado (quando sai para as festas), enquanto algumas mães chegam a chorar de preocupação (enquanto ele não chega). O discurso do 'te carreguei 9 meses na barriga' prevalece. Acho digno. Argumento válido, mais usado e mais sólido das mães para validar seu cuidado (nome meigo que elas usam para 'ciúmes'). Afinal o que é passar 9 meses vendo sua barriga numa metamorfose diária?
        Quando o filho cresce a tendência é que ele se torne um elemento autônomo na justa sociedade. Pêêên! Dois erros absurdos: 1º justa sociedade foi piada (rên), 2º um filho nunca será autônomo aos olhos de uma mãe. Para quem ainda não é mãe é mais fácil de entender a parte da sociedade nunca ser justa. Essa segunda parte parece mais complexa de interpretação. Vamos lá, lembram daqueles bichinhos virtuais que quando éramos pequenas tínhamos que alimentar, pôr para dormir, jogar 'pedra-papel-tesoura'?  Por acaso se você deixasse um diazinho sem mexer no seu bichinho ele ainda estaria vivo? Nunca! Pois então, mães se identificam com essa situação. Não importa se o bebêzinho tenha 30 anos, eles não têm autonomia. De preferência elas ainda o cobrem quando moram na mesma casa.
           Talvez você esteja pensando: "Minha mãe não faz isso". Talvez você evoluiu baby. Isso mesmo, não há como ser autônomo. No máximo filhos viram pokemons. Você sempre estará na pokebola da sua mamy. Você pode evoluir, mas sempre estará resguardado na pokebola dela. Acontece que às vezes a equipe Rocket entra em ação e aparece uma Jessie ou um James e rouba a pokebola da mamuska. Saindo das metáforas, queridos, isto demarca aquele momento em que você se borra de medo, mas tem que apresentar seu/sua namorado/a para a dona da sua vida. Nesse momento #TENSO, com direito a hashtag do twitter, você fica com o fiofó na mão. Afinal, é como se dissesse: mamãe vai rolar uma alienação fiduciária onde o bem móvel sou eu. O que a matriarca não vai entender é que obrigação ela tem com essa alienação.
            Normalmente você fica na situação 'entre a cruz e a espada'. Sua mãe passa por uma batalha que pode durar 1 dia, com ela tentando se convencer de que pode 'dividir' a guarda da pokebola e cuidar de você junto com o intruso; ou uma vida inteira (o que é beeeeeeeeeem mais comum), com ela se usando de todas as manobras para retomar seu bem mais precioso.
            Obviamente nem todas são assim, há aquelas em que fingem não ligar como tática. Essas são as mais inteligentes. Os filhos se ligam mais nas que implicam pouco, estabelecem uma relação de dependência maior. Isso me lembra a convivência com algumas mães desprovidas de racional que pude conhecer e umas poucas que eram habilidosíssimas na arte de 'fingir' que estava tudo bem. Essa conversa fica pra próxima...
             No fundo no fundo, mesmo não sendo mãe, entendo essa coisa toda dos ciúmes. Elas têm o direito de opinar, de se sentirem donas. Afinal, foram 9 longos meses dentro das suas barriguinhas...

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Sobre amores e pássaros

           Fui lavar os pratos e de repente começou uma música desses forrós meia boca dizendo "Ninguém nunca vai te amar como eu te amo". Fiquei pensando nessa frase que é dita todos os dias por um monte de homens e mulheres. O mais interessante é que a gente sempre encontra alguém que ame mais ou menos, mas realmente ninguém ama igual ao outro. Parece um clichê de criatura safada, mas né não. É uma verdade que tomei para mim.
            Eu amei 'ele' de um jeito, o outro 'ele' de outro e amarei mais um 'ele' de maneira diferente. Isso tudo porque varia a intensidade com que as coisas acontecem. Há gente em que o amor é fraternal, a gente se relaciona por alguns meses e só percebe que o amor era de irmão quando baixa o fogo do desconhecido. Lembro de uma pessoa que eu dizia: o que me prende a você é o mistério de não saber o que se esconde por trás dessa falta de sorriso. Anos depois descobri que não havia mistério, havia ausência de alguém que o fizesse sorrir, coisa tão simples que eu consegui fazer. Mas amei enquanto foi mistério. Amei pessoa e/ou mistério.
              Amei de um jeito menina. Quando eu ainda estava desenvolvendo minhas habilidades de durona. Aí foi mais leve. Foi desafiador. Era o mais inteligente, oia! E eu me sentindo a fodona tinha chegado alguém pra ser melhor que eu. Nunca que eu ia admitir. Foi divertido. Acho que ensinei P.A. e P.G. a quem me ensinaria que sentimento não é marcado em números. Foi uma adolescência que me permitiu crescer. Tinha uma historinha clichê de 'no futuro a gente ainda pode se reencontrar e eu caso contigo' (Foi quase isso). Esse amor previa que eu tinha mais que asas, acho que ele enxergava um passarinho mutável dentro do meu coração. Nessa época eu achava era um beija-flor. Na natureza que procurava não conseguia sentir o perfume de apenas uma flor, então precisei amar outras flores.
              Esse tipo de amor deixou claro porque na vida existe 1º amor, porque virá um 2º, um 3º e tantos outros. Falavam 'Garota, primeiro amor a gente nunca esquece'. Esquece mesmo não, como não esquece os que vem na sequência, porque se esquecer sinceramente é problema de Alzheimer. Como você pode esquecer alguém que você olhou nos olhos e disse um "Eu te amo" (amo tu, mutu, amooo) ou ainda alguém que você chamou de amor, amorzinho com todos os 'inhos' que o mimimi dos apaixonados permitem?

              Aconteceu também de amar de forma mais possessiva, era um amor meia boca, porque parte do princípio de 'é meu e ponto'. Tudo atrapalhava: amigos, família, era um grude infernal. Quando não tava no telefone ele tava na minha casa. Até estudar era na mesma mesa. Cheguei a aprender algumas coisas de criptografia, circuitos elétricos, potência, máquinas, elepote...com o tempo fui vendo que não era normal, manerei. Mas aí rola a lei da ação e reação e tudo se voltou contra mim. Foi uma questão de controle e quando eu vi tava deixando neguinho escolher com que tipo de roupa eu saia, ligando pra saber 'aonde' eu estava e não 'como' eu estava. Foi amor? Por um tempo, foi um jeito um tanto burro de amar, mas não deixou de tipificar como forma, como subtipo. Talvez essa tenha sido a fórmula mais rápida. Esqueci nos 20 segundos do primeiro tempo, inacreditável, não? Fui aqui de beija-flor a papagaio. Desta vez na gaiolinha, sem força para voar.
              Aconteceu de tentar voar, mas o peso do meu corpo era demais. Tantos outros enxergavam uma andorinha, mas eu sempre mostrava quem não estava disposta a voar. A gaiolinha era tão mais confortável. Assim passaram um sem números de apreciadores de pássaros, mas nenhum tinha capacidade de ensinar o papagaio a repetir a palavra mais usada de todos os tempos: Amor.
             Com o passar do tempo fui vendo que enquanto papagaio eu estava agindo como o boneco de lata: à procura de um coração. Nessa busca cansativa eu achei ter encontrado esse coração. Então as penas foram mudando a coloração. Ainda não sabia no que estava me tornando, mas dei um espaçozinho para essa mudança. Comecei a ver uma forma de amar que a gente crê que é 'para todo o sempre'. Claro que sim, até alguém enfiar um bisturi quente no talo do coração. Sem drama, foi um drama. Doeu porque eu tinha me permitido amar novamente e durou tão pouco minha alegria. Acontece que isso me ajudou, porque não quis voltar para a gaiola, com esse 'amar' eu aprendi uma lição valiosa: eu finalmente tinha um coração.
               Saí em busca de intensidade, faltou isso para o beija-flor, para a andorinha, para o papagaio. Até que um belo dia descobri que tipo de pássaro habita na minha essência. Tão óbvio desde que nasci. Vem no meu nome, uma pombinha. Muito possivelmente todos teriam visto em mim essa pombinha, mas enquanto eu não via não conseguia corresponder às tantas formas de amor que recebi. Porque as pombas são fiéis, duram uma vida toda ao lado do parceiro.
                   Acontece que elas sabem desde que nasceram que são pombas, eu não sabia. Saí procurando formas e formas de amar periquitos, galos de briga, corvos até seres de outra espécie como cachorros, macaquinhos, peixes, cavalos. Eu descobri um dia desses que sou uma pombinha, agora posso esperar que um pombinho faça a dancinha pra mim. É gente, quando eu descobri que era uma, fui atrás de saber da palumba (latim do nível mais chique). Descobri que elas encontram um pombinho único na vida, eles se bicam carinhosamente (é o beijo deles) e depois o macho dança para que a fêmea caia de amores; eles acasalam e ela bota em média 3 ovinhos.
                Isso tudo esclarece porque nunca quis casar. Não dava pra casar se não achasse um pombinho. Não queria ser mãe por quê? Porque minha natureza só permitia a mesma espécie. Então hoje já me encontrei. Agora consigo voar e ter a sabedoria de construir meu ninho seguindo a minha natureza. Afinal ninguém vai me amar da mesma forma nunca, mas dessa vez será da certa, porque eu me permito! 
 
Por Paloma Oliveira.