
sábado, 22 de maio de 2010
Vestidos

sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Sem glória?
Cheguei em casa sem saber o nome do filme que tinha acabado de assistir no cinema. Estranho, diante do impacto que ele causou em mim e na platéia. Com exceção do meu namorado, que cochilou numa das cenas aparentemente sem sentido (o que eu não ousaria repetir em se tratando de Tarantino), o pequeno público do ‘famigerado’ Multiplex 5 aplaudiu o longa Inglourious basterds (2009), com comentários positivos e, como não poderia faltar, aquele quê de “Já sabia que ia gostar”.
A trilha sonora lembra Pulp Fiction (1994), mas o roteiro me parece mais bem articulado e, por mais que Tarantino tenha previsibilidades – como dar papéis importantes a loiras ‘exóticas’, belezas estranhas mesmo –, não posso deixar de comentar que sua sacada final não será esquecida.
A história se ambientaliza na França de 1941, ocupada por nazistas, com judeus amedrontados, como a família de Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent), pela perseguição dos olhos do coronel Hans Landa (Christoph Waltz). O diferencial do longa, dentre tantos que abordam a Segunda Guerra Mundial, é o desvio da norma do ‘fazer historinhas’
Contando com Brad Pitt e o espanhol Daniel Brühl – o mesmo do filme Salvador (2006) e Good bye Lenin! (2003) –, o elenco não deixa a desejar e seguramente o espectador não verá as duas horas e meia da trama passar, a menos que este seja meu namorado.
domingo, 25 de outubro de 2009
O câncer no pêssego
Paris-Texas
Algum dia sonhei Paris.
Ver a Torre Eiffel de Paris
o museu do Louvre de Paris
les fleurs des Champs-Elisées de Paris.
Depois conheci Drummond, li
Pessoa, Borges, Camus
e de algum modo fui (sem ver Paris)
o errático Rimbaud, sem tempo de Utopia.
O sentimento do mundo vinha adiposo com Bibi
mercador das flores do tédio onde aprendi
que o homem é êxule Sísifo,
estrangeiro em Paris como em qualquer lugar.
Hoje, já não sonho Paris; vivo o Texas,
Dante. Aos olhos de um homem em crise
toda geografia é o mesmo acidente.
ASSUNÇÃO, José Antonio. O câncer no pêssego. João Pessoa: Idéia, 1992.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Mais poesia

Lendo "O homem artificial", de Braulio Tavares (escritor paraibano), me sinto mais inquietada diante desse universo literário que descubro. Como nos últimos dias leio muitas coisas sobre a identidade do homem, o homem e sua relação com a literatura e consigo, selecionei esse poema que não deixa a desejar em se tratanto de estética e, sobretudo, em se tratando da conexão homem-questionamento:
Teogonia¹
Cada homem faz um deus
à sua imagem e semelhança;
esse deus é, dentro dele,
incêndio e dança.
Assim como um paraíso
em cada homem um inferno
como ele: impreciso
como ele: eterno.
Cada homem traz guardado
no lugar onde faz sonhos
o rosto oculto e sagrado
do seu demônio.
Cada deus vive num homem
e esse homem quase o alcança
e um dos dois só morre
quando o outro cansa.
¹ Extraído de: TAVARES, Bráulio. O homem artificial. Rio de Janeiro: Sette Letras, 1999, p. 21.
domingo, 9 de agosto de 2009
"Apenas começando..."
Lembrei, portanto, diante desse começo, de um poema do paraibano José Antonio Assunção:
POSSE
Quem diz amor, diz posse.
(O lençol dos nubentes
dissimula fósseis.)
Quem diz amor, diz fácil;
e o sentimento em ágio
cristaliza-se, calcário.
Quem diz amor, diz nada:
que o amor, amor
não cabe em palavra.


